Tradução Técnica

Super Tuesday, discurso de Barack Obama.

Chicago, IL
5 de fevereiro de 2008

Antes de começar, gostaria de expressar minhas condolências às vítimas das tempestades que atingiram o Tennessee e o Arkansas.
Eles estão em nossos pensamentos e preces.
Bem, as pesquisas estão sendo finalizadas na Califórnia e os votos ainda estão sendo contados em cidades por todo o país.
Mas há algo nesta noite de fevereiro que não precisamos dos resultados finais para saber- nossa hora chegou, nosso movimento é real, e a mudança está chegando à América.
A somente algumas milhas daqui, há quase um ano atrás, nos posicionamos nos degraus do Old State Capitol para reafirmar a verdade que foi firmada há muitas gerações- que uma casa dividida não fica em pé; que somos mais que uma coleção de Estados Azuis e Vermelhos; nós somos, e sempre seremos os Estados Unidos da América.
O que começou como um sussurro em Springfield, logo foi levado para os milharais de Iowa, onde fazendeiros e trabalhadores de fábricas; estudantes e veteranos se resistiram em números nunca vistos.
Eles resistiram para dizer que talvez neste ano, não devemos nos contentar com uma política na qual números são mais importantes do que resolver problemas.
Desta vez  podemos finalmente fazer algo sobre planos de saúde ou hipotecas que não podemos pagar.
Desta vez pode ser diferente.
Suas vozes ecoaram das montanhas de New Hampshire até os desertos de Nevada, onde professores, cozinheiros e profissionais de cozinha se posicionaram para dizer que talvez Washington não deva mais ser governada por lobistas.
Elas chegaram à costa da Carolina do Sul quando pessoas disseram que talvez não devêssemos estar divididos por raça, região e gênero; que escolas ruins estão roubando o futuro de crianças negras e brancas; que podemos nos unir e construir uma América que dá a cada criança, em qualquer lugar, a oportunidade de viver seus sonhos.
Desta vez pode ser diferente.
E hoje, nesta terça-feira de fevereiro, nos estados do Norte e Sul, Leste e Oeste, o que antes era um sussurro em Springfield, se torna agora um canto de milhões pedindo mudança.
Um canto que não pode ser ignorado.
Que não pode ser impedido.
Esta vez pode ser diferente porque esta campanha para a presidência é diferente.
Não é diferente por minha causa, mas por causa de vocês.
Porque vocês estão cansados de se sentir desapontados e de serem decepcionados.
Vocês estão cansados de ouvir promessas feitas e planos propostos no calor de uma campanha, para que nada mude quando todos voltarem para Washington.
Porque lobistas só assinam cheques.
Ou talvez seja porque os políticos começam a se preocupar sobre como irão ganhar as próximas eleições em vez do porque deveriam ganhar.
O talvez porque eles focam em quem os apoiam ou não, em vez de quem importa.
E enquanto Washington é consumida pelo mesmo drama, divisão e distração, mais uma família coloca uma placa de "Vende-se" no jardim.
Outra fábrica fecha suas portas.
Mais um soldado diz adeus ao ser alistado para lutar uma guerra que nunca deveria ter sido autorizada e financiada.
E isso continua.
Mas nessa eleição- nesse momento- vocês estão se posicionando por todo o país para dizer, não desta vez.
Não esse ano.
Há muito em jogo e os desafios são grandes demais para a mesma Washington jogar com os mesmos jogadores e esperar um resultado diferente.
Esta vez deve ser diferente.
Agora, não é sobre mim ou a Senadora Clinton.
Como eu disse anteriormente, ela era uma amiga antes de começarmos esta campanha e ela continuará sendo depois que ela acabar.
Eu a respeito como uma colega, e a parabenizo em suas vitórias nesta noite.
Mas neste outono, devemos aos americanos uma escolha real.
É mudança contra mais do mesmo.
É o futuro contra o passado.
É uma escolha entre votar nos Republicanos e Independentes já unidos contra nós, ou votar contra seu representante com uma campanha que tem unificado americanos de todos os partidos com um único propósito.
É uma escolha entre ter um debate com o outro partido sobre quem tem mais experiência em Washington, ou ter um outro sobre quem tem mais chances de mudar Washington.
Por que este é um debate que podemos vencer.
É uma escolha entre um candidato que tem recebido mais dinheiro de financiadores de Washington do que qualquer outro Republicano nesta corrida, e uma campanha que não recebeu um centavo do dinheiro deles porque fomos financiados por vocês.
E se eu sou o seu representante, o meu oponente não será capaz de dizer que eu apoiei a guerra no Iraque; ou que eu dei a George Bush o benefício da dúvida no Irã; ou que eu apoiei a política Bush-Cheney, de não falar com líderes que não gostamos.
E ele não será capaz de dizer que eu concordei com algo tão fundamental quanto ser certo ou não a América usar tortura- porque nunca é certo.
Esta é a escolha nesta eleição.
Os Republicanos concorrendo à presidência já se prendem ao passado.
Eles falam de uma guerra de cem anos no Iraque e mais bilhões em incentivos fiscais para a minoria mais rica que não precisa deles e nem pediram por isso- incentivos fiscais que hipotecam o futuro de nossos filhos sob uma montanha de débitos numa época em que famílias não podem pagar suas despesas médicas e estudantes não podem pagar suas mensalidades.
Eles administram baseado em uma política do passado, e é por isso que o nosso partido deve ser o partido do amanhã.
E é esse o partido que eu vou liderar como presidente.
Eu serei o presidente que dará um fim aos incentivos fiscais para empresas que levam nossos empregos para o exterior e vou começar a colocá-los nos bolsos de trabalhadores americanos que os merecem.
E proprietários em dificuldade.
E idosos que deveriam se aposentar com dignidade e respeito.
Serei o presidente que finalmente unirá Democratas e Republicanos para tornar a saúde acessível e disponível para cada americano.
Vamos tornar as faculdades ao alcance de todos que queiram ingressar nelas, e ao invés de apenas dizer como os nossos professores são bons, iremos recompensá-los por suas grandezas, com apoio e melhores salários.
E vamos aproveitar da ingenuidade de agricultores, cientistas e empresários para libertar este país da tirania do petróleo de uma vez por todas.
E quando eu me tornar presidente, vamos colocar um fim à uma política que usa o 9/11 como forma de assustar e conseguir votos, e começar a ver isso como um desafio que deveria unir América e o mundo contra as ameaças comuns do século XXI: terrorismo e armas nucleares; mudanças climáticas e pobreza; genocídio e doença.
Nós podemos fazer isso.
Não será fácil.
Demandará luta e sacrifício.
Haverá atrasos e cometeremos erros.
E é por isso que precisamos de toda ajuda possível.
Então hoje à noite eu quero falar a todos aqueles americanos que ainda não se juntaram a esse movimento, mas que ainda têm fome de mudança- nós precisamos de vocês.
Precisamos que vocês se juntem a nós, e trabalhem conosco, e nos ajudem a provar que juntos, pessoas comuns ainda podem fazer coisas extraordinárias.
Sou abençoado por estar aqui na cidade onde a minha própria jornada extraordinária começou.
À alguns quilômetros daqui, à sombra de uma usina de aço fechada, foi onde eu aprendi o que é preciso para fazer a mudança acontecer.
Eu era um jovem organizador na época, com a intenção de lutar contra o desemprego e a pobreza na zona sul, e ainda me lembro de uma das primeiras reuniões que eu organizei.
Trabalhamos nela durante dias, mas ninguém apareceu.
Nossos voluntários se sentiram tão derrotados que quiseram desistir.
Para falar a verdade, eu também.
Mas naquele momento, eu olhei para fora e vi alguns jovens atirando pedras num prédio vedado com tábuas, do outro lado da rua.
Eles eram com outros garotos espalhados por cidades de todo país- jovens sem perspectivas, sem acompanhamento, sem esperança.
E me dirigi aos voluntários e os fiz uma pergunta: "Antes que vocês desistam, eu quero fazer uma pergunta.
O que vai acontecer àqueles jovens?"
E os voluntários olharam através daquela janela e decidiram que continuariam naquela noite- continuariam organizando, lutando por escolas melhores, trabalhos melhores e saúde de qualidade.
Assim como eu. E devagar, mas firmemente, nas semanas e meses que se seguiram, a comunidade começou a mudar.
Vejam, os desafios que iremos enfrentar não serão resolvidos numa reunião em apenas uma noite.
A mudança não virá se nós esperarmos por outra pessoa ou outra hora.
Nós somos as pessoas que estávamos esperando.
Nós somos a mudança que procuramos.
Nós somos a esperança para aqueles jovens que tem tão pouco; que escutaram que não podem ter o que eles sonham; que não podem ser o que eles imaginam.
Sim, eles podem.
Nós somos a esperança de um pai que vai para o trabalho antes do amanhecer e ficou acordado com pensamentos que lhe dizem que ele não poderá dar aos seus filhos as mesmas oportunidades que alguém lhe deu.
Sim, ele pode.
Nós somos a esperança de uma mulher que soube que sua cidade não será reconstruída; que ela não pode recuperar a vida que lhe foi tirada pela tempestade.
Sim, ela pode.
Nós somos a esperança do futuro; a resposta para os cínicos que nos dizem que nossa casa deve permanecer dividida; que nós não podemos nos unir; que não podemos refazer esse mundo como ele deveria ser.
Porque sabemos o que vimos e o quê acreditamos- que o quê começou como um sussurro se tornou agora um canto que não podemos ignorar; que não será impedido, que irá ressoar  através dessas terras como um hino que irá curar esta nação, reparar este mundo e fazer esta vez ser diferente de todas as outras. - Sim.
Nós.
Podemos.



TRADUÇÃO: Adriano Ricardo Celanti de Freitas

Arquivo: https://docs.google.com/document/d/1yv-hKQ2pgFM_5hCPtCdWwOX21R4vvAwgvE64tvUjUdc/edit?usp=sharing


Obama Inaugural Speech



Prefácio do tradutor – Obama Inaugural Speech

O primeiro discurso do presidente Barack Obama, embora impecavelmente bem construído, não surpreende, por ser um estilo bastante esperado do discurso político ocidental, e, sobretudo americano. A tradução foi fluida, com ressalvas interessantes, que podem ser encontradas no glossário. Alguns termos que falam tipicamente com a cultura dos Estados Unidos, como àqueles ligados à dignidade, honra, e trabalho, deram resultados interessantes por resumirem o que em português ocorre normalmente em locuções e frases inteiras.
A troca de ordem do adjetivo pelo substantivo, que ocorre tão comumente na tradução do inglês para o português, não aconteceu com tanta frequência de modo a permitir a manutenção da formalidade do discurso de um presidente.
A fala de Obama é pautada na intenção de emocionar e inspirar seus concidadãos. Decisivamente, esse foi o norte do qual a tradução para português se serviu em todo momento.



Meus concidadãos:
Estou aqui hoje dignificado pela tarefa diante de nós, grato pela confiança que depositada em mim, cientes dos sacrifícios suportados por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente Bush por seu serviço à nossa nação, bem como pela generosidade e cooperação que ele demonstrou durante esta transição.
Agora, quarenta e quatro americanos já fizeram o juramento presidencial. As palavras foram faladas durante as calmas águas da paz e crescentes marés de prosperidade. Nesses momentos, a América seguiu à frente não simplesmente por causa da habilidade ou visão daqueles no alto escalão, mas porque Nós, o Povo, permanecemos fieis aos ideais de nossos ancestrais e fieis aos nossos documentos fundadores.
Assim tem sido. Assim deve ser com essa geração de americanos.
É de conhecimento de todos que estamos em meio a uma crise. Nossa nação está em guerra, contra uma rede de longo alcance de violência e ódio. Nossa economia está bem enfraquecida, uma consequência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns, mas também por nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e preparar a nação para uma nova era. Lares foram desfeitos, empregos perdidos, empresas fechadas. Nosso sistema de saúde está muito caro, nossas escolas reprovam demais e a cada dia há novas evidências de que as formas como usamos energia fortalece nossos adversários e ameaça nosso planeta.
Esses são os indicadores da crise, sob reserva dos dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profunda é a erosão da confiança por todo nosso país, um medo persistente de que o declínio da América é inevitável, e de que a próxima geração deva diminuir suas perspectivas.
Hoje eu vos digo que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão vencidos facilmente nem brevemente. Mas saiba disso, América: eles serão vencidos.
Neste dia, nos reunimos porque escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de propósito em vez do conflito e da discórdia.
Neste dia, viemos proclamar um fim às queixas mesquinhas e às falsas promessas, às recriminações e aos dogmas desgastados que por tanto tempo sufocaram nossa política.
Como nação, ainda permanecemos jovens, porém, chegou a hora de deixar de lado as infantilidades. Chegou a hora de reafirmar nosso espírito perseverante, a hora de escolher nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são iguais, todos são livres, e todos merecem uma chance de buscar sua completa felicidade.
Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, entendemos que a grandeza nunca é dada. Ela deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi feita de atalhos ou de resignação. Não foi um caminho para os pusilânimes, para aqueles que preferem o lazer ao trabalho, ou que buscam apenas os prazeres da riqueza e da fama. Pelo contrário, foram aqueles dispostos a arriscar, os realizadores, os criadores, alguns renomados, mas em maior quantidade homens e mulheres em seu trabalho, por vezes despercebido, que nos carregaram ao longo do tortuoso caminho em direção à prosperidade e à liberdade.
Por nós, eles juntaram suas poucas posses materiais e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.
Por nós, eles trabalharam duro em empregos escravizantes de exploração e seguiram rumo ao Oeste; suportaram o açoite do chicote e lavraram a terra dura.
Por nós, eles lutaram e morreram em lugares como Concord e Gettyrburg; Normandia e Khe Sahn.
Com frequência, esses homens e mulheres lutaram e se sacrificaram, trabalharam até suas mãos ficarem em carne viva, para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América maior que a soma de nossas ambições individuais, maior que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou qualquer dissensão.
Esta é a jornada que continuamos hoje. Continuamos sendo a mais próspera e poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando essa crise começou. Nossas mentes não são menos inventivas, nossos bens e serviços não são menos necessários do que eram semana passada, ou mês passado ou ano passado. Nossa capacidade permanece a mesma. Mas nossa época de conformidade, de proteger interesses escusos e adiar decisões desagradáveis, essa época certamente passou. Começando hoje, nós devemos nos levantar, tirar a poeira e começar de novo o trabalho de refazer a América.
Para onde quer que olhemos, há trabalho a ser feito. O estado da economia pede por uma ação ousada e rápida, e nós agiremos. Não apenas para criar novos empregos, mas para estabelecer uma nova fundação para o crescimento. Nós construiremos as estradas e as pontes, as redes elétricas e as linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Nós devolveremos à ciência seu lugar de merecimento, e controlaremos as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade do serviço de saúde e baixar seu custo. Nós usaremos o Sol, os ventos e o solo para abastecer nossos carros e movimentar nossas fábricas. E nós transformaremos nossas escolas, faculdades e universidades para atender as demandas de uma nova era. Tudo isso podemos fazer. E tudo isso faremos.
Agora, há aqueles que questionam a escala de nossas ambições, que sugerem que nosso sistema não pode tolerar tantos planos grandiosos. Suas memórias são curtas. Porque se esquecem do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a imaginação se junta a um mesmo propósito e à necessidade de ter coragem.
O que os cínicos não conseguem entender é que os tempos mudaram, que os argumentos políticos defasado que nos consumiram por tanto tempo não servem mais. A pergunta que fazemos hoje não é se nosso governo é grande ou pequeno demais, mas se ele funciona, se ele ajuda as famílias a encontrar empregos com salários decentes, assistência que possam pagar, uma aposentadoria que seja digna. Onde a resposta for sim, pretendemos seguir em frente. Onde a resposta for não, programas acabarão. E aqueles de nós que lidam com os dólares públicos terão que prestar contas, para gastar sabiamente, reformar maus hábitos e fazer nossos negócios à luz do dia, porque só assim poderemos restaurar a confiança vital entre um povo e seu governo.

A pergunta diante de nós também não é se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade não tem paralelo, mas esta crise nos fez lembrar que sem um olhar vigilante, o mercado pode sair do controle – e que uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não somente do tamanho de nosso Produto Interno Bruto, mas também do alcance de nossa prosperidade; na habilidade de estender a oportunidade a todos os corações dispostos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para nosso bem comum.
Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Nossos fundadores, diante de perigos que mal podemos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos do homem, uma carta disseminada pelo sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abandoná-los por conveniência. E assim, para todos os outros povos e governos que estão assistindo hoje, das grandiosas capitais à pequena vila onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de cada nação e de cada homem, mulher e criança que procura um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.
Lembrem-se que gerações anteriores enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças robustas e convicções duradouras. Eles entenderam que nosso poder sozinho não pode nos proteger, nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Em vez disso, eles sabiam que nosso poder cresce com seu uso prudente; nossa segurança emana da justiça de nossa causa, da força de nosso exemplo, das qualidades temperantes da humildade e moderação.
Nós somos os guardiões desse legado. Guiados por esses princípios, mais uma vez, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem um esforço ainda maior, uma maior cooperação e compreensão entre nações. Nós começaremos a deixar responsavelmente o Iraque para seu povo, e forjar uma paz duramente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos adversários vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e reduzir o espectro do aquecimento do planeta. Não vamos pedir desculpas por nosso modo de vida, nem vamos vacilar em sua defesa, e para aqueles que procurarem avançar em seus objetivos produzindo terror e matando inocentes, dizemos para vocês, agora que nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado: vocês não podem durar mais que nós, e nós os derrotaremos.
Pois sabemos que nossa herança multicultural é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus - e não crentes. Somos moldados por cada língua e cultura, vindos de cada fim desta Terra; e por termos provado o sabor amargo da guerra civil e da segregação, emergindo desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que os velhos ódios um dia passarão; que as fronteiras tribais logo se dissolverão; que à medida que o mundo se torna menor, nossa humanidade comum se revelará; e que a América deve desemprenhar o seu papel de nos conduzir a uma nova era de paz.
Para o mundo muçulmano, buscamos um novo caminho a seguir, com base no interesse e no respeito mútuo. Para aqueles líderes pelo mundo que buscam semear o conflito, ou culpar os males de sua sociedade no Ocidente - saibam que seus povos irão julgá-lo por aquilo que se pode construir, não pelo que se destrói. Para aqueles que se agarram ao poder através da corrupção e do engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que vocês estão do lado errado da história; mas que nós estenderemos uma mão caso estiverem dispostos a descerrar vosso punho.
Aos povos das nações pobres, prometemos trabalhar ao seu lado para fazer suas fazendas florescerem e deixar que fluam águas limpas; para nutrir corpos famintos e alimentar mentes com fome. E para aquelas nações que como a nossa, gozam de relativa abundância, dizemos que não podemos mais suportar a indiferença ao sofrimento fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem nos importar com as consequências. Pois o mundo mudou, e precisamos mudar com ele.
Ao passo que entendemos o caminho que se desdobra diante de nós, nos recordamos com humilde gratidão daqueles bravos americanos que, neste exato momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer, assim como os heróis caídos que jazem em Arlington murmuram através dos tempos. Nós os honramos não apenas porque são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles personificam o espírito do serviço; uma disposição para encontrar significado em algo maior que eles mesmos. E ainda, neste momento, um momento que definirá uma geração, é precisamente esse espírito que deve residir em nós.
Por mais que o governo tenha o poder e o dever de fazer, é definitivamente na fé e na determinação do povo americano que esta nação confia. É a bondade em receber um estranho quando os diques se rompem; o desprendimento de trabalhadores que preferem reduzir sua jornada de trabalho a ver um amigo perder seu emprego – que nos auxilia em nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro de subir uma escada cheia de fumaça, mas também a disposição de uma mãe ou um pai para criar uma criança, que finalmente decidem nosso destino.
Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores dos quais o nosso sucesso depende – honestidade e trabalho árduo, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo – essas coisas são antigas. Essas coisas são verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso ao longo de nossa história. O que é exigido, então, é um retorno a essas verdades. O que se demanda a nós agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, por parte de cada americano, de que temos deveres conosco, com nossa nação, e com o mundo, deveres que não aceitamos a contragosto, mas com alegria, firmes no conhecimento de que não há nada mais satisfatório para a alma, tão definidor de nosso caráter, do que dar tudo a uma tarefa difícil.
Este é o preço e a promessa da cidadania.
Esta é a fonte de nossa confiança – a certeza de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.
 Este é o significado de nossa liberdade e de nosso credo – por que homens, mulheres e crianças de todas as raças e fés podem se reunir em celebração neste magnífico auditório, e por que um homem cujo pai, há menos de sessenta anos, poderia não ser atendido num restaurante local, agora pode estar de vocês para fazer um juramento sagrado.
Por isso, vamos marcar este dia com a lembrança de quem nós somos e quão longe viajamos. No ano de nascimento da América, no mais gelado dos meses, um pequeno grupo de patriotas se juntou em torno de fogueiras que se apagavam às margens de um rio gelado. A capital fora abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. Em dado momento quando o resultado de nossa revolução pairava em dúvida, o pai de nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:
“Que seja dito ao mundo futuro... que nas profundezas do inverno, quando nada além de esperança e virtude poderia sobreviver... que a cidade e o campo, alarmados diante de um perigo comum, saíram para enfrenta-lo.”
América. Diante de nossos perigos comuns, neste inverno de nossas dificuldades, vamos nos lembrar dessas palavras eternas. Com esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez as correntes geladas e resistir a quaisquer tempestades que possam vir. Que seja dito pelos filhos de nossos filhos que quando fomos testados, recusamos a deixar essa jornada terminar, que não voltamos atrás nem vacilamos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos com segurança às gerações futuras.

Obrigado. Que Deus vos abençoe e que Deus abençoe os Estados Unidos da América. 

TRADUÇÃO: Antonio Roberto Souza Magalhães Júnior

ARQUIVO:https://docs.google.com/document/d/1E_h_xnQIuGSiEO-LDe8iO8KfIqKp0SVVFzx5UzcaeiA/edit

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